Clima organizacional no poder judiciário : percepção dos integrantes do setor processual em 2ª instância do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás diante das metas do CNJ
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Data
2025
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Centro Universitário Alves Faria
Resumo
O Poder Judiciário brasileiro tem vivenciado, nas últimas décadas, intensas transformações organizacionais decorrentes da institucionalização de metas de produtividade pelo Conselho Nacional de Justiça, sobretudo com a implementação progressiva de ferramentas tecnológicas. Embora essas mudanças visem à modernização e à celeridade da prestação jurisdicional, seus impactos sobre o clima organizacional e o bem-estar dos servidores permanecem insuficientemente investigados, em especial no âmbito da segunda instância dos tribunais de Justiça, lacuna que esta pesquisa se propôs a preencher. O objetivo geral foi investigar a percepção dos servidores lotados em gabinetes de desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás acerca do clima organizacional, considerando as metas do CNJ. Fundamentada no Modelo de Demandas-Recursos do Trabalho (JD-R), a pesquisa adotou abordagem quantitativa do tipo survey, com coleta de dados por questionário estruturado aplicado a 55 assessores e assistentes (n = 17 e n = 38, respectivamente). Os dados foram submetidos a análises descritivas, teste t de Welch, ANOVA com post-hoc, correlações de Pearson e regressão linear múltipla. O instrumento demonstrou consistência interna satisfatória em todas as 16 dimensões avaliadas (a = 0,70) e os resultados revelam elevadas demandas de trabalho nos dois grupos, com destaque para sobrecarga, complexidade das tarefas e pressão pelas metas do CNJ. Os recursos organizacionais são percebidos em nível moderado, sendo a participação nos processos decisórios o construto de menor disponibilidade percebida entre os assistentes (M = 2,75) e o único preditor independente e significativo da satisfação no trabalho (ß = +0,272; p = 0,045), além do principal preditor do engajamento (ß = +0,356; p = 0,018). A exaustão emocional situa-se acima do ponto médio da escala em ambos os grupos, com as demandas emocionais como seu principal antecedente (ß = +0,602; R² = 0,690). As demandas tecnológicas, embora não percebidas como a maior fonte de pressão no plano descritivo, mostraram-se preditoras significativas do esgotamento (ß = +0,378; p = 0,003), evidenciando impacto subclínico da adaptação tecnológica sobre o bem-estar. Os achados confirmam a operação simultânea dos processos de desgaste e motivação previstos pelo modelo JD-R, apontando a participação, o feedback e as oportunidades de desenvolvimento como os principais eixos de intervenção para a melhoria do clima organizacional nos gabinetes do TJGO.
Descrição
Palavras-chave
Poder judiciário, Clima organizacional, Modelo JD-R, Bem-estar no trabalho
Citação
CAVALCANTE, Josivânia Ribeiro. Clima organizacional no poder judiciário: percepção dos integrantes do setor processual em 2ª instância do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás diante das metas do CNJ. Goiânia (GO), 2025. 65 f. Dissertação (Mestrado Profissional em Administração) - Centro Universitário Alves Faria, 2025.